Alice acordou com o barulho da sirene no Mundo da Terra Quadrada. Por puro reflexo, cobriu os ouvidos. O som estridente atravessava as palmas de suas mãos, ecoando em cada célula de seu corpo.
O que estava acontecendo? Como ela viera parar ali?
No Mundo da Terra Quadrada, todos usavam máscaras sorridentes. Repetiam frases de efeito como se houvesse algum sentido no mantra da liberdade absoluta.
Mas quem ousasse questionar a barbárie do caos, resultante dessa liberdade sem limites, sofria sucessivos ataques.
O controle começava com a irritante sirene. O barulho ensurdecedor invadia qualquer lugar onde alguém expressasse opinião contrária à ausência de regras. Quem se atrevesse a defender um código de ética era sumariamente internado em uma instituição para lavagem cerebral.
Na janela, Alice olhava estarrecida para as pessoas na rua, cercando um casal que se recusava a usar a máscara sorridente. Ela quis gritar, pedir ajuda para o casal acuado, mas sua voz havia sido sequestrada pelo medo.
Era proibido pensar diferente. Era proibido pensar diferente. Era proibido pensar.
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