— Como teria sido a nossa vida?
No meio da conversa — como sempre entre muitos risos — Antonio me fez a pergunta que já havia se enroscado nos meus pensamentos. Tantas e tantas vezes eu mesma me questionara, buscando em vão descobrir como seria nossa história se ficássemos juntos.
Por muito tempo, tive a certeza de que um fio invisível do destino nos uniria até o fim. Mesmo com a profunda conexão que nos ligava, a vida de Antonio seguia em outro continente. E eu continuei onde estava, enraizada ao solo conhecido — por covardia, talvez, ou por egoísmo.
A vastidão do oceano que nos separava se dissolvia na proximidade que sentíamos: quem mais completaria nossas frases entre gargalhadas e deliciosas provocações? Antonio e eu, imersos no nosso universo paralelo, particular, intransferível.
Existiria uma saída naquele labirinto onde nossos caminhos se cruzaram? A pergunta continuava ecoando em mim: como teria sido nossa vida? E eu, ali, em silêncio, tentando encontrar uma resposta. Mas não havia nada a dizer além da verdade:
— Isso é algo que nunca vamos saber.
Antonio retrucou:
— Eu queria saber.
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