— Isso funciona?
Rebecca, a feiticeira mais badalada do pequeno mundo de Nevermind, observou o jeito arrogante de Brigitte. Aquela garota ousava duvidar de seus poderes mágicos.
Em Nevermind, a vida acontecia sem grandes dramas. Quase todos ali viravam a página com facilidade. Quase todos, menos Brigitte, que preferia desafiar até mesmo as leis da magia para reescrever o passado.
Seu temperamento difícil e personalidade autoritária a impediam de aceitar que sua história com Arthur, o primeiro amor de sua vida, não tivesse um final feliz.
Por não aceitar o término do namoro, Brigitte procurou a maior feiticeira de Nevermind. Ali, naquele casarão sombrio, onde teias de aranha desenhavam estranhos bordados de renda no teto, estava sua última esperança: a máquina de reescrever histórias de amor.
Exposta em um móvel envidraçado, a máquina parecia uma antiga relíquia. Brigitte estava incrédula ao repetir a pergunta:
— Isso funciona?
Rebecca abriu a porta de vidro e retirou a máquina, colocando-a sobre a mesa circular no centro da sala.
— Você tem quinze minutos para reescrever sua história de amor. Sente-se diante da máquina e pense em tudo o que deseja viver ao lado… qual é o nome dele mesmo?
— Arthur.
— Ao lado do Arthur. Lembre-se: quinze minutos, e o encanto da máquina será desfeito.
Brigitte não teve tempo de abrir a boca. Quando se deu conta, Rebecca havia desaparecido.
Diante da máquina, Brigitte imaginou uma história perfeita com Arthur. Tudo aconteceria exatamente como ela desejava. Quinze minutos depois, Rebecca surgiu no meio da sala, recolocou a máquina no móvel e disse:
— Agora é com você.
Brigitte seguiu em direção ao seu desejo. Mas Arthur não mostrou o menor interesse em reatar. Mal olhava em sua cara. E o pior: estava de olho em outra garota. O que teria acontecido? A magia da máquina seria um engodo?
Furiosa, Brigitte voltou ao casarão. Rebecca não pareceu surpresa ao vê-la:
— Eu já esperava que você voltasse.
— Ele está com outra. Nem sequer olhou na minha cara. Essa máquina não passa de uma farsa.
Rebecca encarou a garota enquanto retrucava:
— Minha máquina reescreve histórias de amor. Mas sem amor, nem magia funciona.
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