Viviane não suportava mais tantos encontros desastrosos em sua vida amorosa. Por isso, estava determinada a marcar uma consulta com a tal bruxa do site “Puro Feitiço”: qualquer coisa que pudesse trazer sorte e magnetismo ao próximo encontro que o destino reservava para ela.
Na hora marcada, pontualmente, Viviane tocou a campainha da casa amarela. Glenda abriu a porta vestindo um longo vestido preto. A mulher parecia ter saído do desenho da Branca de Neve. Seria a versão da madrasta ou a bruxa que estava ali diante dela?
Glenda fez um gesto para que Viviane entrasse. Na pequena sala havia apenas uma mesa e duas cadeiras. Nada de caldeirão, bola de cristal ou pedras coloridas.
Viviane sentou-se, esperando que Glenda fizesse o mesmo, mas a mulher permaneceu de pé atrás dela e então disse:
— Já vi sua aura. No seu caso, feitiço simples não resolve.
Será que havia vários níveis de feitiço? Curiosa, Viviane virou-se na cadeira para olhar para Glenda e perguntou:
— Quais tipos de feitiço você me indica?
A feiticeira fez um gesto amplo com as mãos, como se desenhasse uma curva no ar, e então respondeu:
— Acho que só funcionariam os feitiços de segundo e terceiro grau.
Precavida, Viviane sugeriu:
— Do terceiro, pra garantir.
Feitiço recomendado e encomendado. Glenda se ausentou da sala por meia hora e voltou trazendo um saquinho de tule lilás. Dentro dele, algumas pedrinhas de cristal se misturavam às pimentas vermelhas.
— Você precisa levar esse amuleto na bolsa sempre que for ao encontro de alguém.
Simples.
Viviane acreditou piamente no poder do feitiço de terceiro grau. Não havia o menor vestígio de dúvida em seu coração. Seria apenas uma questão de tempo. O grande encontro de sua vida estava a caminho. Ela sentia.
Seis meses se passaram. Nada. Um ano. Nada. Viviane permanecia firme no propósito: ele vai chegar. Segurava o saquinho lilás e repetia:
— Feitiço de terceiro grau, traga quem nasceu pra mim.
No mês seguinte, Reinaldo apareceu do nada, em plena padaria onde Viviane tomava café. O sujeito sentou-se ao seu lado. E, de repente, Viviane viu que na mochila parcialmente aberta do cara havia um saquinho lilás idêntico ao que Dona Glenda lhe dera, com as pedrinhas e as pimentas. Igualzinho.
Não podia ser mera coincidência; Viviane pensou: é um sinal.
— Ei, de onde é esse saquinho lilás? Tenho um igual.
Reinaldo olhou para Viviane, desconfiado.
— Você acha que eu roubei seu saquinho?
— Não! Você não entendeu minha pergunta.
Mas era tarde. O sujeito começou a discursar sobre sua honestidade. Viviane ouviu a ladainha interminável enquanto pensava: preciso de um feitiço de oitavo grau.
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