— Com essa chuva nem adianta sair agora.
Diana olhou para o homem que acabara de falar ao seu lado, na portaria do prédio onde trabalhava. A chuva batia forte no toldo, numa cadência constante. Antes que ela tivesse tempo de dizer alguma coisa, o sujeito emendou:
— Desde moleque gosto de chuva. E você?
— Eu também. Só não curto quando estou com pressa.
— Como agora?
Diana sorriu e encarou o estranho:
— Você costuma observar as pessoas que não conhece?
— E a gente conhece alguém nessa vida?
Por um instante ela teve vontade de rir. A ideia de nunca conhecer alguém de verdade soava tão esquisita quanto possível. E então retrucou:
— Não sei. Talvez seja ainda mais difícil conhecer quem somos.
O sujeito soltou uma gargalhada:
— Isso leva tempo. Muito mais do que uma chuva.
Diana não conteve o riso enquanto olhava a rua alagada: muita água ainda iria rolar.
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