Os estranhos hábitos de Humberto, solteiro por suprema devoção à liberdade, despertariam a atenção de qualquer pessoa.
Pela manhã, ao acordar, ele dava três gritos, batia no peito e dizia:
— Bolê, godê, fuço e não tusso.
O que significava “bolê, godê”? Nem se fosse um segredo seria tão bem guardado.
Diante do espelho, enquanto escovava os dentes, Humberto costumava arquear a sobrancelha, dando algumas piscadelas para a sua própria imagem. Após concluir a higiene bucal, o homem se concentrava e então tomava fôlego para bufar com toda força e falava:
— Nem todos podem. Vantup coen.
Não. Ninguém tinha a menor ideia do que “vantup coen” queria dizer.
Depois de terminar o café da manhã, Humberto colocava um punhado de sal na mão e a sacudia intensamente.
— Vulu nonô, obê binau. Fui.
E só então saía para trabalhar.
Naquele ano, Humberto contratou uma funcionária para cuidar dos afazeres domésticos. No primeiro dia de trabalho, Margarida observou o comportamento do novo patrão, mas não parecia impressionada. Pelo contrário. Quando ele terminou o café da manhã dizendo “Vulu nonô, obê binau. Fui”, a mulher retrucou:
— Vulu nonô, obê binau. Vai com Deus.
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