DOLCE VITA
INSTAGRAM: @dolcevitacontos
Capa Meu Diário Textos Áudios Perfil Livro de Visitas Contato Links
Textos

Os estranhos hábitos de Humberto, solteiro por suprema devoção à liberdade, despertariam a atenção de qualquer pessoa.

 

Pela manhã, ao acordar, ele dava três gritos, batia no peito e dizia:

 

— Bolê, godê, fuço e não tusso.

 

O que significava “bolê, godê”? Nem se fosse um segredo seria tão bem guardado.

 

Diante do espelho, enquanto escovava os dentes, Humberto costumava arquear a sobrancelha, dando algumas piscadelas para a sua própria imagem. Após concluir a higiene bucal, o homem se concentrava e então tomava fôlego para bufar com toda força e falava:

 

— Nem todos podem. Vantup coen.

 

Não. Ninguém tinha a menor ideia do que “vantup coen” queria dizer.

 

Depois de terminar o café da manhã, Humberto colocava um punhado de sal na mão e a sacudia intensamente.

 

— Vulu nonô, obê binau. Fui.

 

E só então saía para trabalhar. 

 

Naquele ano, Humberto contratou uma funcionária para cuidar dos afazeres domésticos. No primeiro dia de trabalho, Margarida observou o comportamento do novo patrão, mas não parecia impressionada. Pelo contrário. Quando ele terminou o café da manhã dizendo “Vulu nonô, obê binau. Fui”, a mulher retrucou:

 

— Vulu nonô, obê binau. Vai com Deus.

 

INSTAGRAM

@dolcevitacontos 

 

Dolce Vita
Enviado por Dolce Vita em 12/03/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários