— Alô? É da Central de Arrependimentos?
Do outro lado da linha, a irritação na voz de Milena era indisfarçável. E o cansaço em seu semblante se refletia na tela do computador.
— Infelizmente é aqui. Eu me arrependo todos os dias de ter esse emprego. A senhora não imagina o que…
Impaciente, Dona Aurora interrompeu a funcionária:
— Moça, sou eu que preciso registrar meu arrependimento.
Milena bufou. Desde criança ninguém a ouvia. Não adiantava insistir. Então prosseguiu com o protocolo de atendimento:
— Seu arrependimento é pequeno, médio ou grande?
— E isso importa?
— Nesse ramal só contam os arrependimentos imensos. É o seu caso?
Àquela altura, Dona Aurora já havia perdido a paciência:
— Meu arrependimento não era tão grande até falar com você.
Sem pensar duas vezes, Milena concluiu:
— Não precisa me agradecer. Bom dia. Volte sempre.
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