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Meu Diário
20/04/2009 19h52
Programa de Jó


Você não acha difícil acreditar que o sinal da Internet é banda larga?

Há dias poderia jurar que meu notebook entra em rede captado pelo reboque de uma Kombi aos pedaços. Trava. Cai. Trava novamente. 

A única coisa ampla é minha obstinação em duelar com as oscilações de sinal.

Em alguns momentos, penso que estou à beira de uma nova criação.

Lançarei o Programa de Jó. Haja paciência!

Se você não é monge budista, por natureza ou vocação, e sente-se atormentado por este exercício, praticamente impensável de paciência, para permanecer on line, bem-vindo ao clube!

O "Programa de Jó" se despede sob protestos, não com um beijo, mas com esperanças de que o olho gordo cibernético emagreça tornando o sinal mais ágil!

Atenciosamente e oscilante...

Publicado por Dolce Vita em 20/04/2009 às 19h52
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
20/04/2009 06h01
Alma Escultora (Há uma escritora?)

Imagino a beleza contida em um bloco de mármore branco. Esculpir exige que várias partes deste objeto sejam desprezadas. Lascas e mais lascas se perdem em meio ao ar nebuloso de cada golpe. 

Os pedaços lançados desenham uma trajetória no espaço. Certas coisas precisam ser deixadas para trás. Tenho muito o que aprender com os escultores. Neste ofício, o que é perdido parece ter a função de abrir caminho. E a pedra vira arte.

Suponho que um escultor esteja à procura de algo tão intenso que se faça palpável. As mãos que cortam a pedra são as mesmas que trazem à tona sua maior beleza. Penso nas escolhas. E nos dilemas. Quando cortar é escolher.

Conceber a idéia que se alojará no corpo concreto exerce em meu imaginário um fascínio infantil. Algo que surgiu do plano etéreo da inspiração. Talvez da mais remota fantasia ou das entranhas de uma ânsia inexplicável em palavras, adquire forma e entra na realidade. 

É preciso existir.

E para que esta existência esculpida se faça, quantos golpes serão necessários?

Antes de começar a escrever esta crônica, contemplava a imagem de uma escultura de Rodin. Uma das minhas prediletas: "La Danaide".

Pensei em mim. 

E desejei possuir uma alma escultora capaz de lançar nova luz à minha existência.

Publicado por Dolce Vita em 20/04/2009 às 06h01
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18/04/2009 21h04
Qual é a graça?
 

  


Gosto de escrever textos de humor. E são, invariavelmente, os mais difíceis. No entanto, tenho a impressão que as construções feitas para rir não conseguem o mesmo reconhecimento daquelas que emocionam. O riso não está diretamente ligado à alegria quando pensamos neste gênero, mas em situações e sentimentos bastante diversos.

Fazer rir é um desafio e ao mesmo tempo, um tiro no escuro. Nunca sabemos se aquela frase irá surtir efeito até que aconteça e provoque a reação desejada. Em textos falados é possível observar de imediato se o objetivo alcançou seu alvo. Enquanto nos escritos lidamos com a sensação de não saber o tempo todo. Nem sempre as risadas são comunicadas. E ainda que sejam, pode levar algum tempo. Neste caso, quem ri por último é o autor: de alívio!

As pessoas que se dedicam a olhar o mundo através da janela do humor me parecem talhadas para não vergar. Quando você pensa que estão derrotadas, a piada acontece retirando-as da forca da desilusão ou angústia. Por outro lado, este estilo é crítica. E das mais severas. Nosso lado patético e ridículo elevados a um lugar inimaginável.

Há também nesse universo algo que me encanta. A possibilidade da alquimia. Misturamos elementos e recriamos coisas. Novos sentidos surgem onde nem se imaginava possíveis outras leituras. Sinal de que há sempre uma saída de emergência para aqueles que pensam com graça.

Talvez, o humor seja a liberdade exaltada em sua essência. O pensamento livre flutua e muda o sentido original para dar outro significado a algo. E se este deslocamento for "feliz" (na verdade a palavra seria inteligente), levará o riso onde não havia o menor sinal de graça.

Humor é a vitória da inteligência sobre a dor. O oxigênio do pensamento, onde busco fôlego para prosseguir quando a alma está arranhada demais. E se meus textos não provocarem muitos risos, pelo menos, o mais engraçado (você diria narcísico?) foi feito: serei a única capaz de rir com o que escrevo!

Ultimamente tenho me especializado em piadas com legenda porque sempre acreditei que as pessoas com algum senso de humor, assim como as histórias engraçadas, merecem uma segunda chance.

Publicado por Dolce Vita em 18/04/2009 às 21h04
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17/04/2009 01h52
Catarse
 
Embora não pareça à primeira vista, minha natureza é reservada. O que induz meu interlocutor ao erro porque projeto uma imagem que parece não se enquadrar em mim.

Muitos podem supor, pela vibração das sonoras gargalhadas, que sou extrovertida, segura e aberta.

Meu pai costumava me chamar de "carcamana". Apesar de neta de libaneses, quem sabe, "mezzo napolitana, mezzo britânica".

Não sou nem uma uma coisa, nem outra. E ao mesmo tempo, trago um pouco dessa Torre de Babel, uma espécie de nações unidas na alma.

Talvez eu pudesse ser uma pessoa extremamente comum, desprovida de qualquer interesse específico, superficial até, não fosse meu "lado B".

Descubro "lados B" a todo tempo. E isso me intriga, encanta, assusta e muitas vezes, nem sei que nome dar ao que acontece.

Acho engraçado imaginar meu mundo interno como uma gaveta desarrumada que ao organizar me faz ver o que julgava perdido.

Vasculho as peças misturadas e lá está! Uma parte de mim que não via há tanto tempo!

E ali! Aquela lembrança que me retratou um dia surge como uma echarpe colorida envolta em papel de seda.

Há que ter cuidado ao embalar os nossos cacos.

Um dos comentários que recebi, em um dos meus textos, lançou luz à idéia desta "gaveta desarrumada".

A intenção do comentarista era escrever "catarse", mas por um lapso abençoado, emerge o erro que me conduziu à resposta: "catar-se".

É isso! A verdade pode ser simples: procuro "catar-me".

Meus cacos testemunharam tantas perdas. Sigo e recolho um a um. Não esqueço o que perdi.

No entanto, preciso respirar outra vez. Emergir e recriar a mim mesma.

E ao contar este "catar-se", mais uma vez, a catarse se dá!



Publicado por Dolce Vita em 17/04/2009 às 01h52
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15/04/2009 20h34
Tela de Letras


E então veio a vontade de escrever. 

Minha necessidade de palavras está intimamente ligada ao sentimento.

Um afeto que não se dedica ou simplesmente existe e permanece em aberto como toda página em branco parece estar.

Escrever é um desafio muitas vezes doloroso. Outras, pura liberdade.

Não sou o que escrevo porque isto está além de mim. E esta consciência do que me limita e diferencia, daquilo que é exposto em frases que se encaixam para contar uma história, é um conforto (e um confronto).

Alguma parte da minha alma alimenta o desejo de ter o que expressar. Não importa o quanto eu mesma calei. Muito menos, os tortuosos caminhos por ventura trilhados.

A maior desventura é paralisar pela dor, congelar-se imersa em vazio.

Não escreveria sem esta força: abençoada resistência que se opôs a mim.

Não. O mundo não é cruel. Nem sou inocente.

Escrevo porque perdi, entre outras coisas, a inocência.

No entanto, há uma alegria nisso. Um contentamento herege. Talvez, a marca daqueles que sobrevivem a si mesmos.


Publicado por Dolce Vita em 15/04/2009 às 20h34
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