DOLCE VITA
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Meu Diário
24/04/2009 01h30
Viagens ao Redor do Umbigo
Você é feliz?


Se ao responder esta questão, pensou antes em alguém (presente ou ausente de sua vida), sua felicidade corre sérios riscos.


Depositar a responsabilidade do quanto somos felizes ou infelizes no outro é pedir para ser coadjuvante em uma história onde só há sentido representar o papel principal.


Tempos egocêntricos? Eu prefiro pensar em outros tempos.


Sei que toda obra precisa de vários personagens, elenco de apoio, coisa e tal. E a pessoa amada tem lugar de destaque no enredo de nossa obra vivida.


No entanto, quem mais além de nós pode ser seu autor?


Não. Não defendo a idéia do isolamento nem a suficiência de uma autonomia que também é inatingível, mas é preciso contar conosco. Fazer companhia a quem somos e não sentir que este vazio, muitas vezes, negado ou ressentido, seja, de fato, compensado (ou compensável) pelo outro.


O outro é livre, inclusive, do nosso afeto, das expectativas irreais que depositamos sobre ele. Desta exigência infantil que se debruça no colo alheio como um bebê aninhado na mãe, imerso na sensação de plenitude.


Esta seria a cena original que tomará conta da nossa fantasia em viagens ao redor do umbigo?


Ao nos apaixonarmos o elo perdido retorna à lembrança e se conecta ao que estava vago, quebrado. Estamos de volta ao colo amoroso.


O problema é que o mundo não gira ao redor do nosso umbigo.


É preciso amadurecer para aceitar a fragilidade do amor. Um laço que envolve sem atar. E convive com a consciência de que o outro e nós somos independentes. E portanto, únicos.


A sensação de plenitude infantil está preservada apenas em nossa memória afetiva. O corpo registra todos os efeitos do afeto. Guardamos os sinais que serão tocados pela paixão e através dela, relembramos o prazer que um dia nos fez sentir o centro do mundo.


Você ama porque se recorda. E ama melhor quando entende não ser mais a mesma criança.


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Publicado por Dolce Vita
em 24/04/2009 às 01h30
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21/04/2009 23h20
Índice Particular de Loucura


Meu avô costuma dizer que todo ser humano tem direito a 17% de loucura.

Não me olhe assim!

Desconheço os critérios de seu cálculo e não me atreveria a desvendar os motivos que o levaram a esta equação psicológica.

Fato é que muitas vezes lembro deste percentual. E imagino que não se possa fugir eternamente dessa matéria prima inconsciente coletiva e familiar.

Sorrio ao questionar qual seria o "índice" da minha loucura.

Tantos estão mais preocupados e obsessivos, com os cálculos calóricos, massa corporal, dieta de pontos, enfim, outras porcentagens.

Não sei se extrapolo ou deixo muito a desejar, nesta margem que a lucidez pelo avesso, da teoria de meu avô, permite.

Talvez, meu analista saiba em primeira mão. E um dia, em minha jornada analítica encontrarei a resposta. 

Ser imparcial a respeito de nós mesmos é tarefa árdua. Exige investimento e disponibilidade em conhecer o que somos e o que pensamos ser. E contrapor este embate ao que os outros projetam sobre nós. Tudo mesclado em nosso mundo interno.

Um dos desafios é conhecer-se sem oscilar entre um alto ou baixo conceito sobre nós mesmos. Enfim, humanizar.

Provavelmente publique minha tentativa de evolução neste caminho em textos.

Entretanto deve ser neste eixo numérico, proposto pelo meu avô, que minha liberdade constrói frases e recria histórias através de uma parte de mim.

Quem sabe, os tais 17%.








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20/04/2009 19h52
Programa de Jó


Você não acha difícil acreditar que o sinal da Internet é banda larga?

Há dias poderia jurar que meu notebook entra em rede captado pelo reboque de uma Kombi aos pedaços. Trava. Cai. Trava novamente. 

A única coisa ampla é minha obstinação em duelar com as oscilações de sinal.

Em alguns momentos, penso que estou à beira de uma nova criação.

Lançarei o Programa de Jó. Haja paciência!

Se você não é monge budista, por natureza ou vocação, e sente-se atormentado por este exercício, praticamente impensável de paciência, para permanecer on line, bem-vindo ao clube!

O "Programa de Jó" se despede sob protestos, não com um beijo, mas com esperanças de que o olho gordo cibernético emagreça tornando o sinal mais ágil!

Atenciosamente e oscilante...
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em 20/04/2009 às 19h52
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20/04/2009 06h01
Alma Escultora (Há uma escritora?)

Imagino a beleza contida em um bloco de mármore branco. Esculpir exige que várias partes deste objeto sejam desprezadas. Lascas e mais lascas se perdem em meio ao ar nebuloso de cada golpe. 

Os pedaços lançados desenham uma trajetória no espaço. Certas coisas precisam ser deixadas para trás. Tenho muito o que aprender com os escultores. Neste ofício, o que é perdido parece ter a função de abrir caminho. E a pedra vira arte.

Suponho que um escultor esteja à procura de algo tão intenso que se faça palpável. As mãos que cortam a pedra são as mesmas que trazem à tona sua maior beleza. Penso nas escolhas. E nos dilemas. Quando cortar é escolher.

Conceber a idéia que se alojará no corpo concreto exerce em meu imaginário um fascínio infantil. Algo que surgiu do plano etéreo da inspiração. Talvez da mais remota fantasia ou das entranhas de uma ânsia inexplicável em palavras, adquire forma e entra na realidade. 

É preciso existir.

E para que esta existência esculpida se faça, quantos golpes serão necessários?

Antes de começar a escrever esta crônica, contemplava a imagem de uma escultura de Rodin. Uma das minhas prediletas: "La Danaide".

Pensei em mim. 

E desejei possuir uma alma escultora capaz de lançar nova luz à minha existência.
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em 20/04/2009 às 06h01
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18/04/2009 21h04
Qual é a graça?
 

  


Gosto de escrever textos de humor. E são, invariavelmente, os mais difíceis. No entanto, tenho a impressão que as construções feitas para rir não conseguem o mesmo reconhecimento daquelas que emocionam. O riso não está diretamente ligado à alegria quando pensamos neste gênero, mas em situações e sentimentos bastante diversos.

Fazer rir é um desafio e ao mesmo tempo, um tiro no escuro. Nunca sabemos se aquela frase irá surtir efeito até que aconteça e provoque a reação desejada. Em textos falados é possível observar de imediato se o objetivo alcançou seu alvo. Enquanto nos escritos lidamos com a sensação de não saber o tempo todo. Nem sempre as risadas são comunicadas. E ainda que sejam, pode levar algum tempo. Neste caso, quem ri por último é o autor: de alívio!

As pessoas que se dedicam a olhar o mundo através da janela do humor me parecem talhadas para não vergar. Quando você pensa que estão derrotadas, a piada acontece retirando-as da forca da desilusão ou angústia. Por outro lado, este estilo é crítica. E das mais severas. Nosso lado patético e ridículo elevados a um lugar inimaginável.

Há também nesse universo algo que me encanta. A possibilidade da alquimia. Misturamos elementos e recriamos coisas. Novos sentidos surgem onde nem se imaginava possíveis outras leituras. Sinal de que há sempre uma saída de emergência para aqueles que pensam com graça.

Talvez, o humor seja a liberdade exaltada em sua essência. O pensamento livre flutua e muda o sentido original para dar outro significado a algo. E se este deslocamento for "feliz" (na verdade a palavra seria inteligente), levará o riso onde não havia o menor sinal de graça.

Humor é a vitória da inteligência sobre a dor. O oxigênio do pensamento, onde busco fôlego para prosseguir quando a alma está arranhada demais. E se meus textos não provocarem muitos risos, pelo menos, o mais engraçado (você diria narcísico?) foi feito: serei a única capaz de rir com o que escrevo!

Ultimamente tenho me especializado em piadas com legenda porque sempre acreditei que as pessoas com algum senso de humor, assim como as histórias engraçadas, merecem uma segunda chance.
Publicado por Dolce Vita
em 18/04/2009 às 21h04
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