DOLCE VITA
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Meu Diário
17/04/2009 01h52
Catarse
 
Embora não pareça à primeira vista, minha natureza é reservada. O que induz meu interlocutor ao erro porque projeto uma imagem que parece não se enquadrar em mim.

Muitos podem supor, pela vibração das sonoras gargalhadas, que sou extrovertida, segura e aberta.

Meu pai costumava me chamar de "carcamana". Apesar de neta de libaneses, quem sabe, "mezzo napolitana, mezzo britânica".

Não sou nem uma uma coisa, nem outra. E ao mesmo tempo, trago um pouco dessa Torre de Babel, uma espécie de nações unidas na alma.

Talvez eu pudesse ser uma pessoa extremamente comum, desprovida de qualquer interesse específico, superficial até, não fosse meu "lado B".

Descubro "lados B" a todo tempo. E isso me intriga, encanta, assusta e muitas vezes, nem sei que nome dar ao que acontece.

Acho engraçado imaginar meu mundo interno como uma gaveta desarrumada que ao organizar me faz ver o que julgava perdido.

Vasculho as peças misturadas e lá está! Uma parte de mim que não via há tanto tempo!

E ali! Aquela lembrança que me retratou um dia surge como uma echarpe colorida envolta em papel de seda.

Há que ter cuidado ao embalar os nossos cacos.

Um dos comentários que recebi, em um dos meus textos, lançou luz à idéia desta "gaveta desarrumada".

A intenção do comentarista era escrever "catarse", mas por um lapso abençoado, emerge o erro que me conduziu à resposta: "catar-se".

É isso! A verdade pode ser simples: procuro "catar-me".

Meus cacos testemunharam tantas perdas. Sigo e recolho um a um. Não esqueço o que perdi.

No entanto, preciso respirar outra vez. Emergir e recriar a mim mesma.

E ao contar este "catar-se", mais uma vez, a catarse se dá!


Publicado por Dolce Vita
em 17/04/2009 às 01h52
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
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15/04/2009 20h34
Tela de Letras


E então veio a vontade de escrever. 

Minha necessidade de palavras está intimamente ligada ao sentimento.

Um afeto que não se dedica ou simplesmente existe e permanece em aberto como toda página em branco parece estar.

Escrever é um desafio muitas vezes doloroso. Outras, pura liberdade.

Não sou o que escrevo porque isto está além de mim. E esta consciência do que me limita e diferencia, daquilo que é exposto em frases que se encaixam para contar uma história, é um conforto (e um confronto).

Alguma parte da minha alma alimenta o desejo de ter o que expressar. Não importa o quanto eu mesma calei. Muito menos, os tortuosos caminhos por ventura trilhados.

A maior desventura é paralisar pela dor, congelar-se imersa em vazio.

Não escreveria sem esta força: abençoada resistência que se opôs a mim.

Não. O mundo não é cruel. Nem sou inocente.

Escrevo porque perdi, entre outras coisas, a inocência.

No entanto, há uma alegria nisso. Um contentamento herege. Talvez, a marca daqueles que sobrevivem a si mesmos.

Publicado por Dolce Vita
em 15/04/2009 às 20h34
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